sábado, 9 de agosto de 2008

em outra cor

sabe o que eu sei desta vida?
que eu passarei

meu corpo efêmero
como um dia chuvoso
turbulência incessante
não dura pra sempre

enquanto a dor incide
na alma calejada
e o ferro queima
com a palavra guardada

o meu escudo absorve
e não me deixa esquecer

mas ainda assim
as folham caem
e sol nasce outra vez
as mágoas se renovam
e voltam outra vez
em outra cor

e mais uma vez
eu já não sou mais

incapaz (sombras de uma utopia)

incapaz de acreditar nos sonhos
por que eles mentem para mim
e doem mais que a dor que mata
vêm a tona com uma lágrima
e me acertam por trás

eu não tenho tanta força
de levantar, acreditar
e sonhar em paz
o futuro almejado
persegue o meu presente
alvejado

sombras de uma utopia
letargia do amanhecer
incapaz de me mover
acorrentado à descrença

justo aqui (a saída)

por que que eu sempre tive
que te procurar
além de onde eu posso alcançar
e os olhos enxergar

e por que você sempre
esteve bem aqui
e eu que nunca posso
te encontrar
reconhecer você

sempre procurei
entre outros rostos
mas nunca enxerguei
o que sempre sonhei
está em você
justo aqui

sempre eu busquei
por tantas respostas
e ainda acreditei
que eu não sou ninguém
mas você vem
pra me acordar

a vida inteira estive
no mesmo lugar
e só agora eu vejo a saída
no mesmo lugar